domingo, 22 de novembro de 2009

Abertura política do Brasil pós-ditadura.

O processo de reabertura política. 1974/1985 Resumo

Parte II

O governo Geisel e a "Abertura lenta, segura e gradual."

O governo do general Ernesto Geisel (1974-1979) foi marcado pelo fim do "milagre econômico" e pelo início de uma grave crise econômica e social. As dificuldades cresciam a cada ano com o arrocho salarial, a inflação crescente, a carestia e o aprofundamento das desigualdades sociais. Políticos da oposição, intelectuais e membros da igreja começaram a se manifestar a favor da abertura democrática.

Geisel prometeu uma abertura "lenta, segura e gradual" que conduzisse o país à redemocratização, mas sua atuação foi marcada por pequenos avanços e muitos recuos. A censura diminuiu e os jornais passaram a publicar manifestos pela abertura política e matérias sobre a corrupção no governo. Continuaram, contudo, as apreensões de jornais, a cassação de mandatos de políticos, a prisão de estudantes e professores.

A insatisfação popular ficou evidente no resultado das eleições de 1974, o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido da oposição, teve uma vitória esmagadora na Câmara e no Senado. Os militares de "linha dura" ficaram apreensivos com os resultados das urnas. Não concordavam com a abertura política, pois a consideravam uma ameaça à segurança nacional. Para ele, havia "perigosos agentes comunistas" infiltrados na oposição, na imprensa e nos sindicatos.

Para dificultar outras vitórias da oposição, o governo tratou de mudar a legislação eleitoral. Isso não impediu, contudo, que crescessem manifestações populares contra a ditadura e as campanhas a favor da anistia e da Constituinte.

No final de seu mandato, Geisel tomou a medida mais importante para a abertura política: a revogação do AI-5 e todos os outros atos institucionais e a extinção da pena de morte e prisão perpétua.

A abertura à força de Figueiredo.

Ao assumir o poder o general João Baptista Figueiredo (1979-1985) jurou que faria "deste país uma democracia" esse objetivo não era só do presidente, mas de quase toda a sociedade brasileira. Em agosto de 1979 o Congresso aprovou o projeto de anistia parcial e limitada, proposto pelo governo. Mesmo não tendo sido ampla, geral e irrestrita como queria a sociedade, a anistia possibilitou a volta de muitos exilados políticos ao país.

No final de 1979, uma reforma partidária extinguiu a ARENA e o MDB, permitindo a formação de novos partidos. Conforme o governo esperava, o pluripartidarismo enfraqueceu a oposição, que acabou dividida em vários partidos.

Os militares de "linha dura", inconformados com a abertura política, passaram a agir na clandestinidade por meio de atos terroristas. Entre os atentados à bomba, o mais grave não se concretizou: planejado para ocorrer no centro de convenções RIOCENTRO (1981), no Rio de Janeiro, a bomba foi acionada antes do previsto e o atentado acabou atingindo seus executores, matando o sargento e ferindo o capitão que a transportavam.

No período de 1981 a 1983 o país viveu uma profunda recessão econômica causada pelo grande choque do petróleo de 1979 e pelos enormes gastos do governo. A inflação atingiu taxas alarmantes. Os trabalhadores protestaram contra as perdas salariais fazendo greve, e os desempregados, saqueando supermercados. Os empresários também se queixavam do corte dos subsídios e investimentos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Abertura política do Brasil pós-ditadura militar.

A ditadura brasileira. 1964/1985 Resumo parte I

A partir de 1964 o Brasil viveu o período mais tenebroso e obscuro de sua história decente, o golpe militar de 31 de março colocou o Brasil na lista de países governados por ditadores apoiados e financiados pelos EUA na tentativa de barrar a expansão do socialismo pelo mundo.

No período que vai de 1964 até 1985 o país sofreu com perseguições políticas, crimes, torturas, desaparecimentos e todo tipo desmandos políticos econômicos e sociais promovidos pelo governo militar e seus aliados.

Podemos resumidamente exemplificar a prática governamental contra seus opositores através de dois casos bem conhecidos e polêmicos: a morte "acidental" e muito misteriosa de Zuleika Jones Angel estilista de moda conhecida como Zuzu Angel que morreu em acidente automobilístico em 1976, Zuzu estava em meio a uma luta para recuperar o corpo de seu filho morto pela ditadura; outro exemplo clássico é da morte do jornalista Vladimir Herzog que foi preso pelos agentes da ditadura sob a acusação de ter ligações com comunistas e encontrado morto em uma sala do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), órgão símbolo da repressão do governo militar e conhecido por ser um centro de torturas e assassinatos.

No campo econômico o Brasil viveu o "Milagre Econômico", período em que o país experimentou um elevado e acelerado crescimento da economia. Na verdade, só verificada mais tarde, o crescimento se dava por meio de volumosos empréstimos estatais oriundos de bancos internacionais, tais empréstimos eram destinados à empresas estatais que pouco lucro geravam devido à corrupção e ao empreguismo e também em obras gigantescas que deixavam de lado a funcionalidade servindo para evidenciar a megalomania de "Brasil Potência" pregada pela ditadura. Exemplos dessas obras são: rodovia trans-amazônica, ponte Rio - Niterói e as usinas nucleares de Angra dos Reis. O resultado do "milagre" ficou claro, além do inevitável endividamento do Brasil, a absurda concentração de renda colocou o país nas primeiras colocações nas listas dos países mais injustos e pobres do mundo.

No que se refere à política social do período da ditadura podemos destacar a ação criminosa dos governantes ao impor o exílio e a expulsão de alguns cidadãos do país, entre eles havia diversos artistas, intelectuais, políticos e professores além de líderes de movimentos contra o regime, o "propunha aos indesejáveis" que se retirassem do Brasil e divulgava propagandas como a frase "Brasil, ame-o ou deixe-o". A população mais necessitada sofria cada vez mais, porém sua voz era silenciada pela miséria e pelo medo, além disso, o governo usava de artifícios como a televisão e o esporte para iludir o povo quanto à sua situação, o exemplo disso é uso da conquista do tri campeonato mundial de futebol pela seleção brasileira e a concessão de transmissoras de televisão a aliados políticos do regime como a família Marinho.