O processo de reabertura política. 1974/1985 Resumo
Parte II
O governo Geisel e a "Abertura lenta, segura e gradual."
O governo do general Ernesto Geisel (1974-1979) foi marcado pelo fim do "milagre econômico" e pelo início de uma grave crise econômica e social. As dificuldades cresciam a cada ano com o arrocho salarial, a inflação crescente, a carestia e o aprofundamento das desigualdades sociais. Políticos da oposição, intelectuais e membros da igreja começaram a se manifestar a favor da abertura democrática.
Geisel prometeu uma abertura "lenta, segura e gradual" que conduzisse o país à redemocratização, mas sua atuação foi marcada por pequenos avanços e muitos recuos. A censura diminuiu e os jornais passaram a publicar manifestos pela abertura política e matérias sobre a corrupção no governo. Continuaram, contudo, as apreensões de jornais, a cassação de mandatos de políticos, a prisão de estudantes e professores.
A insatisfação popular ficou evidente no resultado das eleições de 1974, o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido da oposição, teve uma vitória esmagadora na Câmara e no Senado. Os militares de "linha dura" ficaram apreensivos com os resultados das urnas. Não concordavam com a abertura política, pois a consideravam uma ameaça à segurança nacional. Para ele, havia "perigosos agentes comunistas" infiltrados na oposição, na imprensa e nos sindicatos.
Para dificultar outras vitórias da oposição, o governo tratou de mudar a legislação eleitoral. Isso não impediu, contudo, que crescessem manifestações populares contra a ditadura e as campanhas a favor da anistia e da Constituinte.
No final de seu mandato, Geisel tomou a medida mais importante para a abertura política: a revogação do AI-5 e todos os outros atos institucionais e a extinção da pena de morte e prisão perpétua.
A abertura à força de Figueiredo.
Ao assumir o poder o general João Baptista Figueiredo (1979-1985) jurou que faria "deste país uma democracia" esse objetivo não era só do presidente, mas de quase toda a sociedade brasileira. Em agosto de 1979 o Congresso aprovou o projeto de anistia parcial e limitada, proposto pelo governo. Mesmo não tendo sido ampla, geral e irrestrita como queria a sociedade, a anistia possibilitou a volta de muitos exilados políticos ao país.
No final de 1979, uma reforma partidária extinguiu a ARENA e o MDB, permitindo a formação de novos partidos. Conforme o governo esperava, o pluripartidarismo enfraqueceu a oposição, que acabou dividida em vários partidos.
Os militares de "linha dura", inconformados com a abertura política, passaram a agir na clandestinidade por meio de atos terroristas. Entre os atentados à bomba, o mais grave não se concretizou: planejado para ocorrer no centro de convenções RIOCENTRO (1981), no Rio de Janeiro, a bomba foi acionada antes do previsto e o atentado acabou atingindo seus executores, matando o sargento e ferindo o capitão que a transportavam.
No período de 1981 a 1983 o país viveu uma profunda recessão econômica causada pelo grande choque do petróleo de 1979 e pelos enormes gastos do governo. A inflação atingiu taxas alarmantes. Os trabalhadores protestaram contra as perdas salariais fazendo greve, e os desempregados, saqueando supermercados. Os empresários também se queixavam do corte dos subsídios e investimentos.
